Quando se estuda sobre políticas de drogas, há sempre um ponto em comum que se pode permitir generalizar: as leis, em todos os cantos e em todos os tempos, proibiam o consumo de substâncias sem qualquer estudo científico.

 

As razões comuns giram em torno de três pontos principais: questões sociais, raciais ou políticas.

 

Se no começo de 1900, nos Estados Unidos se defendia a falsa tese de que os pretos cheiravam cocaína antes de estuprarem mulheres brancas, por exemplo, a intenção racista por trás do proibicionismo no Brasil veio 70 anos antes. Na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em 1830, uma das primeiras leis sobre maconha no mundo foi sancionada, criminalizando o costume que pretos escravizados trouxeram de seus países - pitar pango, diamba ou tantos outros nomes pelos quais conheciam a maconha.

Página 12 do jornal “The New York Times”, Seção M, de 8 de fevereiro de 1914, onde um artigo defendia a ideia, sem comprovações, de que a cocaina tornava negros.

 

(especificamente) como demônios - acometidos por alucinações e delírios, aumento da coragem, tendências homicidas, reistência a choque, resistência a tiros de armas de calibre pesado e aumento na pontaria para atirar. 



Nos anos 20, bem antes do muro de Trump, o chefe da Divisão de Controle Estrangeiro de Proibição dos EUA, Henry Aslinger, se aproveitaria da fake news sobre a maconha induzir à promiscuidade e ao crime, para controlar a imigração de mexicanos.

 

Para tudo, a solução parece ser proibir algo que até então era livre, culturalmente consumido e inclusive vendido nas farmácias. A guerra às drogas traria o ônus ainda maior de impedir que se fizessem tão necessários estudos científicos. Por anos, proibiram não apenas as substâncias, mas inclusive se tocar no assunto. 


A pseudociência é a mentira que se fantasia de algo científico, como o terraplanismo, mas ela caminha de mãos dadas com o negacionismo, que é a oposição às descobertas e aos avanços científicos.


Em 1610, Galileu Galilei publicou sua primeira teoria sobre o heliocentrismo (do grego, ήλιος Helios = sol e κέντρον kentron = centro). A descoberta era controversa pois afrontava a fé bíblica das pessoas, e isso fez com que a Inquisição proibisse tudo que fosse referente a nova idéia de sistema solar.

 

Mas Galileu fez novas observações sobre as marés e cometas que contribuíram com sua teoria e esses avanços culminaram em sua condenação, em 1633, por ser “suspeito veementemente de heresia”. Galileu Galilei morreu em 1642, em prisão domiciliar, 350 anos antes da Igreja Católica, via Papa João Paulo II, admitir ter errado em sua condenação e contrariar as descobertas do cientista.

 

Galileu Galilei, vítima da pseudociência católica.

 

Desde os primórdios a pseudociência não trabalha apenas para negar as evidências científicas, mas também cria uma falsa verdade sem nenhuma comprovação.

A legalização da maconha passa por se contrapor a um Governo que nega evidências científicas enquanto defende a proibição, ao mesmo tempo que investe milhões de reais na produção de medicamentos comprovadamente ineficazes contra a Covid-19. Como dito, mais do que negar a ciência, a pseudociência cria uma falsa verdade.

 

A internet proporcionou uma importante democratização do acesso à informação, que permite por exemplo, que você esteja lendo este texto agora. E mais do que este texto de um simples colunista, te abre portas para descobertas ainda mais profundas e precisas.

 

Estudando história, nota-se que a mentira só prospera onde impera a ignorância.

Então, especialmente nos dias atuais, militar é informar-se o suficiente para tornar essa moda política da pseudociência algo ainda mais absurdo e inadmissível.

 À leitura, rapa!!!

Texto: Gustavo Tampa / @gustavotampa