Tempos Pré Proibicionismo & o Jazz Cannábico
Os registros mais antigos do uso humano da Cannabis indicam que ela era utilizada 7 mil anos atrás, na China: a planta era considerada um santo remédio contra apatia, debilidade e reumatismo, de acordo com os ensinamentos do imperador Shen-Nung. Na Índia, 4 mil anos atrás, o “Bhang” era o caminho para a iniciação espiritual segundo o Artava-veda, livro sagrado do hinduísmo.
No Brasil a Cannabis foi chamada primeiro de pango, e depois de fumo-de-Angola, liamba, riamba e diamba, até que predominou o nome maconha. Segundo o pesquisador Bruno Cesar Cavalcanti, já em 1777 haviam registros do uso da erva em Minas Gerais. Ligada inicialmente ao uso ritualístico por parte das populações negras e indígenas, a cannabis acabaria por ser marginalizada e demonizada ao longo do século XX. Nos anos 1920 iniciou-se, no Brasil, uma infrutífera escalada legal contra substâncias psicoativas através de uma política pública proibicionista baseada em tratados e regulações internacionais que nenhuma relação tinham com nossa realidade e que foram reproduzidas aqui com justificativas racistas e eugenistas. Até o início do século XX, substâncias psicoativas como a Cannabis eram vistas em todo o mundo sob o ponto de vista do bem-estar físico e espiritual e da terapêutica medicinal. Era com esse espírito livre que a planta sagrada marcava presença no jazz e no blues dessa época.
Em 2009 foi lançada, em diversos volumes, a coletânea “Reefer Blues: Vintage Songs About Marijuana”, que traz inúmeras músicas inspiradas pela Marijuana com a psicodelia e a leveza de um tempo anterior ao proibicionismo (burro e mal intencionado) que se propaga desde então.
Texto: Kleber Nigro / @kn1gr0
Recomendo então uma viagem no tempo com o primeiro volume da série:
 

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