Hoje 20 de abril (4/20) é comemorado o Dia Internacional da Maconha. Um dia marcado por manifestações ao redor do mundo, pra tentar fazer com que as pessoas reflitam sobre a descriminalização e regulamentação de todos os tipos de uso da planta, principalmente os medicinais.

 

De acordo com um estudo recente feito pela Marijuana Business Daily (agência de notícias de negócios canábicos nos EUA), nos Estados Unidos a meta projetada para esse ano no setor de venda legal da maconha pode ultrapassar US$33 bilhões (R$155 bilhões). O que é claramente um ótimo resultado para um país que está caminhando para o fim da proibição em todos os seus Estados.

 

E onde fica o Brasil nessa história toda? Ele fica bem atrás de todo mundo, ocupando o lugar do famoso retrocesso. Pois, enquanto diversos países estão começando a se abrir para todo o potencial da planta legalizada e recebendo um retorno positivo, o Brasil segue criminalizando uma planta com potencial terapêutico cientificamente comprovado e que poderia ainda de quebra levantar a economia do país, que inclusive tem o clima ideal para cultivá-la. 

 

Além do mais, todo mundo que é engajado com a causa sabe que a cannabis pode ser legalizada a qualquer momento, basta que o STF coloque em pauta o Recurso Extraordinário 635.659. Porém, aqui no Brasil o buraco é mais embaixo e nós sabemos que a criminalização da planta vem de um preconceito racial estrutural, sofrido há séculos pelos povos que foram escravizados.

 

E se você não manja muito dessa história, nós vamos contar um pouco dela pra você ficar ligado na fita toda, ok? 

 

No momento em que as caravelas portuguesas atracaram nesse litoralzão de meu Deus, começou a relação da maconha com o que seria o futuro Brasil. Isso porque as velas e os cordames das naus eram feitas de cânhamo, a famosa fibra tirada da Cannabis Sativa L. Um tempo depois a palavra se desmembrou para o anagrama maconha que é o mais conhecido e usado até hoje.

 

A Cannabis é uma planta exótica, ou seja, foi introduzida na nossa fauna pelos povos negros escravizados e existem diversos registros contando que eles trouxeram as primeiras sementes de “makana” escondidas em suas vestes, cabelos e bonecas de pano para o Brasil. 

 

Aos poucos a planta foi sendo disseminada, sendo cultivada também pelos povos indígenas originários. No nordeste criou-se até o hábito de se plantar a cannabis no período de entressafras. A essa altura do campeonato a maconha estava no seu auge, sendo usada livremente com todo o seu potencial recreativo, de manufatura das fibras e até medicinalmente. A Dona Rainha Carlota Joaquina, inclusive, era chegada em tomar um cházinho pra relaxar.

 

Eis que em 1924, na II Conferência Internacional do Ópio, onde foram reunidos delegados de mais de 40 países para discutir apenas o abuso de ópio e coca, o delegado brasileiro Pedro José de Oliveira Pernambuco Filho junto com o representante egipcio fizeram questão de incluir a maconha no debate. Ele afirmou neste encontro que a maconha era mais perigosa que o ópio, fazendo com que uma onda de criminalização em massa caísse em cima da erva. 

 

Em meados da década de 1930 no Brasil, começaram a acontecer as primeiras prisões por venda e porte ilegal de maconha. Começando no Rio de Janeiro, se estendendo até Pernambuco, Maranhão, Piauí, Alagoas e Bahia. E o pessoal que estava lá cultivando sua plantinha e vendendo mudinhas nas feiras livres bem de boa, começou a sofrer com a violência policial pela tentativa de proibir a erva no país.

 

E como era de se esperar, a camada social mais pobre foi a que mais sofreu com a repressão da planta, dentre eles os negros e nordestinos, que foram exclusivamente associados ao mau uso da erva como droga e acabaram sendo cada vez mais marginalizados pela sociedade. 

 

A proibição segue até hoje no Brasil, país que possui uma das maiores taxas de violência no mundo. E mesmo que a gente saiba que a violência não é provocada pelas drogas, mas sim pelo próprio tráfico e Estado corrupto, grande parte da sociedade segue associando intrinsecamente o uso de drogas às pessoas que estão socialmente desfavorecidas.

 

E mesmo em meio a todo esse cenário caótico, cá estamos nós brasileiros dando aquele jeitinho de se reunir pra continuar queimando um como forma de protesto, seja ali na pracinha com a galera e um gorózinho, reunindo os amigos em casa pra fumar 1 e ver aquele filme que todo mundo esperou pra ver junto chapadão com uma lariquinha do lado ou dando aquele trago escondido antes de entrar no busão ou no metrô. Nós sempre militamos um pouquinho aqui e ali pela causa, que pode mudar a situação de diferentes pessoas nesse país.